Casa do futebol amador de Uberlândia, o estádio Airton Borges se tornou o centro de uma disputa judicial. A atual diretoria da Liga Uberlandense de Futebol, liderada por Luiz Carlos Araújo, questiona o processo de permuta do terreno do estádio, na Avenida Rondon Pacheco, por uma área na zona rural da cidade. A entidade aponta possíveis irregularidades nos contratos e nos valores apresentados.
Estádio Airton Borges; Uberlândia
Liga Uberlandense de Futebol
O acordo de troca entre os terrenos foi firmado em 2022 pela antiga gestão, comandada por Renato Batista, e pela empresa do ramo imobiliário Fazenda Capim Branco. O acerto prevê a construção de um novo complexo esportivo para a LUF na região da Tenda dos Morenos. Entenda o processo mais abaixo.
Uma assembleia para discutir o tema junto aos presidentes dos clubes do futebol amador foi realizada na noite de terça-feira na sede da associação. No encontro, o grupo de advogados que representa a LUF convidou os representantes das agremiações a se apresentaram ao delegado que apura o caso para afirmarem se aprovaram ou não a permuta quando ela foi realizada.
Em nota, a defesa da Fazenda Capim Branco afirmou que se trata de uma disputa política interna da Liga e que a empresa não tem qualquer relação com o imbróglio. O comunicado aponta ainda que a atual gestão da LUF “passou a descumprir o contrato, obrigando a empresa a judicializar a questão”. Leia o posicionamento na íntegra mais abaixo.
O ge procurou o ex-presidente da LUF, Renato Batista para pedir um posicionamento sobre as alegações da atual diretoria da liga. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Entenda a disputa
Em 2022, a gestão anterior da Liga, comandada por Renato Batista, acertou a troca do terreno do estádio, na Avenida Rondon Pacheco, por uma área de cerca de 90 mil metros quadrados na região da Tenda dos Morenos, na Zona Rural de Uberlândia. Atualmente, não há estrutura construída nesse terreno.
Área onde seria construído novo complexo da LUF na região da Tenda dos Morenos, em Uberlândia
LUF/Divulgação
Conforme a negociação, a empresa deveria erguer um novo complexo esportivo no terreno rural para abrigar a estrutura da LUF. A entidade é a responsável por promover o Campeonato Amador de Uberlândia e realiza as principais partidas no estádio Airton Borges.
No processo de permuta, o terreno onde está o estádio foi avaliado em cerca de R$ 60 milhões. A área rural teve o valor atribuído de cerca de R$ 45 milhões. Os R$ 15 milhões restantes seriam investidos pela Fazenda Capim Branco na construção do complexo esportivo.
A atual gestão da Liga, que assumiu em 2025 sob comando de Luiz Carlos Araújo, questiona os valores envolvidos na negociação e aponta possíveis fraudes no processo.
— Entendemos que o valor dessa permuta foi muito prejudicial, uma vez que o valor da área da Rondon Pacheco, que nós entendemos ser o metro quadrado talvez mais caro da cidade de Uberlândia, foi permutado com uma área rural. E essa área rural não tem o valor que eles apontam, bem como o valor que foi atribuído aqui pro metro quadrado da Rondon Pacheco foi um valor muito pequeno — afirmou ao ge o advogado da LUF, Jonathan Fonseca.
Outro apontamento da entidade é que os presidentes dos clubes do futebol amador não votaram para aprovar ou recusar a proposta de permuta. Segundo a Liga, em 2022, houve uma reunião apenas para a prospecção do negócio, sem a realização de apreciação oficial da pauta.
Dois processos judiciais sobre o tema estão em andamento. O primeiro deles, na esfera cível, foi movido pela Fazenda Capim Branco e é arbitrado em São Paulo. Essa ação corre em segredo de Justiça.
Outro processo, na esfera criminal, transcorre em Uberlândia a pedido da Liga Uberlandense de Futebol. Na assembleia realizada na terça-feira, os 40 presidentes dos clubes foram convidados a se apresentarem na 7ª Delegacia de Polícia Civil de Uberlândia para darem o parecer deles sobre a permuta. Os depoimentos serão usados para embasar as próximas etapas do processo.
O que diz a Fazenda Capim Branco
“Trata-se de uma disputa política interna da Liga, da qual a Capim Branco não tem qualquer relação.
A título de esclarecimento, pontue-se que no início de 2021, de maneira amplamente divulgada, a Liga tratou uma permuta com obrigação de construir com a empresa Capim Branco, para a edificação de uma nova sede, três vezes maior no prolongamento da Av. Anselmo.
Na época, o procedimento foi votado e aprovado por unanimidade na Liga, informado ao Ministério Público, ao Poder Executivo, a Câmara e divulgado na imprensa local.
Em 2025, iniciaram-se referidas disputas políticas internas na Liga e a nova gestão de maneira temerária passou a descumprir o contrato, obrigando a empresa a judicializar a questão.
Atualmente a Nova Gestão tem perdido sistematicamente nos processos”.
Estádio Airton Borges; Uberlândia
Liga Uberlandense de Futebol
O acordo de troca entre os terrenos foi firmado em 2022 pela antiga gestão, comandada por Renato Batista, e pela empresa do ramo imobiliário Fazenda Capim Branco. O acerto prevê a construção de um novo complexo esportivo para a LUF na região da Tenda dos Morenos. Entenda o processo mais abaixo.
Uma assembleia para discutir o tema junto aos presidentes dos clubes do futebol amador foi realizada na noite de terça-feira na sede da associação. No encontro, o grupo de advogados que representa a LUF convidou os representantes das agremiações a se apresentaram ao delegado que apura o caso para afirmarem se aprovaram ou não a permuta quando ela foi realizada.
Em nota, a defesa da Fazenda Capim Branco afirmou que se trata de uma disputa política interna da Liga e que a empresa não tem qualquer relação com o imbróglio. O comunicado aponta ainda que a atual gestão da LUF “passou a descumprir o contrato, obrigando a empresa a judicializar a questão”. Leia o posicionamento na íntegra mais abaixo.
O ge procurou o ex-presidente da LUF, Renato Batista para pedir um posicionamento sobre as alegações da atual diretoria da liga. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Entenda a disputa
Em 2022, a gestão anterior da Liga, comandada por Renato Batista, acertou a troca do terreno do estádio, na Avenida Rondon Pacheco, por uma área de cerca de 90 mil metros quadrados na região da Tenda dos Morenos, na Zona Rural de Uberlândia. Atualmente, não há estrutura construída nesse terreno.
Área onde seria construído novo complexo da LUF na região da Tenda dos Morenos, em Uberlândia
LUF/Divulgação
Conforme a negociação, a empresa deveria erguer um novo complexo esportivo no terreno rural para abrigar a estrutura da LUF. A entidade é a responsável por promover o Campeonato Amador de Uberlândia e realiza as principais partidas no estádio Airton Borges.
No processo de permuta, o terreno onde está o estádio foi avaliado em cerca de R$ 60 milhões. A área rural teve o valor atribuído de cerca de R$ 45 milhões. Os R$ 15 milhões restantes seriam investidos pela Fazenda Capim Branco na construção do complexo esportivo.
A atual gestão da Liga, que assumiu em 2025 sob comando de Luiz Carlos Araújo, questiona os valores envolvidos na negociação e aponta possíveis fraudes no processo.
— Entendemos que o valor dessa permuta foi muito prejudicial, uma vez que o valor da área da Rondon Pacheco, que nós entendemos ser o metro quadrado talvez mais caro da cidade de Uberlândia, foi permutado com uma área rural. E essa área rural não tem o valor que eles apontam, bem como o valor que foi atribuído aqui pro metro quadrado da Rondon Pacheco foi um valor muito pequeno — afirmou ao ge o advogado da LUF, Jonathan Fonseca.
Outro apontamento da entidade é que os presidentes dos clubes do futebol amador não votaram para aprovar ou recusar a proposta de permuta. Segundo a Liga, em 2022, houve uma reunião apenas para a prospecção do negócio, sem a realização de apreciação oficial da pauta.
Dois processos judiciais sobre o tema estão em andamento. O primeiro deles, na esfera cível, foi movido pela Fazenda Capim Branco e é arbitrado em São Paulo. Essa ação corre em segredo de Justiça.
Outro processo, na esfera criminal, transcorre em Uberlândia a pedido da Liga Uberlandense de Futebol. Na assembleia realizada na terça-feira, os 40 presidentes dos clubes foram convidados a se apresentarem na 7ª Delegacia de Polícia Civil de Uberlândia para darem o parecer deles sobre a permuta. Os depoimentos serão usados para embasar as próximas etapas do processo.
O que diz a Fazenda Capim Branco
“Trata-se de uma disputa política interna da Liga, da qual a Capim Branco não tem qualquer relação.
A título de esclarecimento, pontue-se que no início de 2021, de maneira amplamente divulgada, a Liga tratou uma permuta com obrigação de construir com a empresa Capim Branco, para a edificação de uma nova sede, três vezes maior no prolongamento da Av. Anselmo.
Na época, o procedimento foi votado e aprovado por unanimidade na Liga, informado ao Ministério Público, ao Poder Executivo, a Câmara e divulgado na imprensa local.
Em 2025, iniciaram-se referidas disputas políticas internas na Liga e a nova gestão de maneira temerária passou a descumprir o contrato, obrigando a empresa a judicializar a questão.
Atualmente a Nova Gestão tem perdido sistematicamente nos processos”.
Fonte: Globo Esporte







