Categorias

Mais Populares

Mais Visualizadas

Nova tecnologia para Linux promete fazer a memória RAM render muito mais

Resumo
  • O projeto Compressed RAM (CRAM), proposto pelo engenheiro Gregory Price, surge como solução para o gerenciamento eficiente de memória no Linux.

  • Diferente do ZRAM e do Zswap, o CRAM trata a área compactada como memória RAM nativa, evitando o uso de swap virtual ou tradicional e otimizando o acesso aos dados.

  • Em testes apresentados na Linux Plumbers Conference 2026, o CRAM alcançou um desempenho até 452 vezes superior ao do ZRAM.

A equipe de Gregory Price, um engenheiro da Meta, apresentou uma proposta que pode tornar o kernel Linux ainda mais eficiente no gerenciamento de grandes volumes de dados na RAM. De nome Compressed RAM (CRAM), o projeto surge como um alento se considerarmos o atual cenário de escassez de memória.

Tal como o nome deixa claro, o CRAM consiste em uma nova abordagem de compressão de dados dentro da memória RAM. Nova porque técnicas para isso já existem. No Linux, dois padrões do tipo se destacam: o ZRAM e o Zswap. Convém entendê-los para que os benefícios do CRAM fiquem claros.

O que é ZRAM e Zswap?

O ZRAM cria uma espécie de bloco de dados virtual, como se simulasse um HD ou um SSD dentro da memória RAM. Quando esta começa a ficar cheia, páginas de memória (blocos de tamanho fixo onde os dados são alocados) inativas em dado momento ou pouco usadas são compactadas e levadas para esse bloco. Essa abordagem alivia o consumo de RAM.

Note que o ZRAM funciona como um swap, isto é, uma técnica que faz o sistema operacional usar parte do HD ou do SSD como uma extensão da memória RAM quando esta fica cheia. A diferença é que o ZRAM cria esse swap dentro da própria RAM.

O Zswap é parecido, mas um pouco mais “ousado”. Aqui, quando o sistema operacional tenta enviar páginas de memória para um swap verdadeiro (no HD ou SSD), o Zswap as intercepta. Na sequência, os dados dessas páginas são compactados e colocados em espaços específicos da memória RAM. Somente quando esta fica próxima da ocupação total é que as páginas são enviadas ao swap verdadeiro.

O ZRAM e o Zswap são soluções engenhosas, mas que esbarram em um problema em potencial: desempenho. Isso porque essa dinâmica de compactar e descompactar dados para tratá-los via swaps, sejam eles verdadeiros ou virtuais, é consideravelmente mais lenta do que quando as operações são realizadas diretamente com a memória RAM.

É neste ponto que o CRAM aparece como solução.

O que o CRAM tem de diferente?

Na primeira olhada, o CRAM é parecido com o ZRAM. A diferença crucial é que, no primeiro, o bloco que armazena os dados compactados é tratado, de fato, como memória RAM, não como um swap tradicional.

Para tanto, o Linux passa a trabalhar com esse espaço como se ele fosse um bloco de RAM adicional. Desse modo, os recursos de gerenciamento de memória nativos do kernel são ativados para lidar com a área que contém os dados compactados.

Esses recursos permitem que, sob determinadas circunstâncias, os dados comprimidos sejam acessados sem page fault (quando há tentativa de acesso de uma página de memória que não está pronta ou mapeada, exigindo que o kernel resolva o problema), possibilitam a migração de páginas de um endereço para outro reduzindo o risco de interrupções, entre outros aspectos.

Tudo isso favorece o desempenho. Em que nível? Bom, o CRAM foi apresentado no evento Linux Plumbers Conference (LPC) 2026. Ali, Gregory Price explicou que, em um benchmark específico, o CRAM permitiu a realização de 489 milhões de operações por segundo contra 1,1 milhão de operações por segundo no ZRAM.

Isso significa que, nesse teste, o CRAM foi 452 vezes superior ao já clássico ZRAM, sem exigir a criação de uma infraestrutura de gerenciamento de memória inteiramente nova no Linux para esse fim. Note que o nível de desempenho pode variar conforme a aplicação, mas a tendência é a de que o CRAM sempre apresente resultados superiores.

Quando o CRAM será oficial no Linux?

O projeto é promissor, mas uma eventual empolgação com a ideia precisa ser controlada, afinal, o CRAM ainda não teve seu desenvolvimento finalizado, razão pela qual, até o momento, não há data marcada para o seu lançamento oficial (ou algo do tipo).

Levemos em conta também que esse tipo de solução tende a ser direcionado a aplicações profissionais, que são executadas em servidores, embora, eventualmente, também possa beneficiar o uso doméstico.

Seja como for, a proposta não deixa de ser deveras interessante.

Nova tecnologia para Linux promete fazer a memória RAM render muito mais

Fonte: Tecnoblog

Forgot Password