Parceiros na vida e na arte, André Luiz Frambach (29) e Larissa Manoela (25) levam talento e sintonia para os palcos com a peça Descalços no Parque, em cartaz no Rio de Janeiro. Juntos pela primeira vez no teatro, eles dão vida a um casal que descobre as delícias e os desafios de construir uma vida em comum — um roteiro que, de certa forma, perpassa pela própria vida pessoal da dupla. Casados desde 2023, eles ainda se desafiam ao assinarem a produção do espetáculo, dando aula de cumplicidade dentro e fora de cena. “No palco, eu sou atriz e ele é ator. Não é porque somos casados que um vai interferir no processo do outro. Ao mesmo tempo, dividir o palco permite que um enalteça o trabalho do outro, e isso fortalece uma confiança que já temos na vida. Acho que esse encontro entre o pessoal e o profissional traz essa segurança, sempre com muito respeito pelo trabalho individual”, explica Larissa.
A opinião da atriz é compartilhada por André. “Estar com ela em cena traz aquele frio na barriga gostoso de descobrir o que vai acontecer naquele dia, mas também a segurança de saber que temos um ao outro ali. Se precisar, existe alguém ao seu lado para ajudar a levantar e seguir em frente. Isso torna esse encontro muito especial”, diz ele, em papo exclusivo com CARAS, no qual abrem o coração e falam sobre a relação dentro e fora dos palcos.
– Como nasceu o projeto?
Larissa – A vontade de fazer teatro sempre esteve presente em mim, e existia o desejo de viver um projeto ao lado do André no palco, que é um lugar especial para nós dois. Quando Descalços no Parque apareceu, fez muito sentido. É um texto clássico, muito divertido, que fala sobre relacionamento, diferenças, sobre esse começo de uma vida a dois. A gente se identificou com várias questões, não necessariamente com situações que os personagens vivem, mas com o universo.
André – A gente adorou o texto, os personagens e essa história de um casal jovem começando uma vida juntos, mas o que nos conquistou principalmente foi ser uma história que fala de amor. É algo que sempre busco, que a Larissa busca e em que nós dois acreditamos. O amor precisa ser mostrado e falado de várias formas, em diferentes momentos. Foi isso que fez a gente embarcar nesse projeto.
– E como tem sido a experiência da produção?
Larissa – Gosto de acompanhar os processos, de entender o projeto como um todo, não só a minha parte como atriz. Produzir amplia o olhar. Você começa a perceber tudo o que precisa acontecer para que, no fim, o público sente na plateia e assista àquela história.
André – É um aprendizado absurdo. Como ator, muitas vezes, você chega quando uma estrutura enorme já foi construída, mas quando você está também na produção passa a enxergar tudo que existe antes de a cortina abrir. É muita decisão, muita responsabilidade, muita gente envolvida. Dá trabalho? Muito! Mas tem sido uma escola maravilhosa e também uma forma de assumir mais responsabilidade sobre os caminhos que eu quero construir na minha carreira.
– Em cena, prevalecem os personagens — Lara e Edu — ou a Larissa e o André acabam entrando em cena?
Larissa – Espero que prevaleçam Lara e Edu! Esse é o nosso objetivo. É claro que algumas coisas nossas, até inconscientemente, podem alimentar uma cena, porque o ator trabalha também com aquilo que vive e observa. Mas não estamos contando a nossa história. São personagens com personalidades, conflitos e uma dinâmica próprias.
André – Tem que prevalecer Edu e Lara. Senão a gente não fez o nosso trabalho direito! Minha vontade é que, depois de alguns minutos, o público esqueça que está vendo André e Larissa e compre aquele casal.
– Em casa, deixam o trabalho de lado ou seguem fazendo trocas sobre a peça?
Larissa – É impossível desligar completamente. Às vezes estamos em casa e surge uma ideia, lembramos de alguma coisa do ensaio, comentamos uma cena… Mas também tentamos preservar a nossa casa como casa. Senão a peça vira café da manhã, almoço e jantar!
André – A gente chega em casa e lembra de uma cena, comenta alguma coisa do ensaio, surge uma ideia… Só que precisamos saber a hora de parar. Porque senão a gente deixa de ser André e Larissa para virar Edu e Lara 24 horas por dia. Aí não rola! Então existe troca, mas existe vida fora do trabalho também.
– Por falar em casa, o que gostam de fazer quando não estão nos palcos?
André – A gente gosta muito de aproveitar a nossa casa. Nossa rotina profissional é muito corrida e nem sempre os horários coincidem, então, quando conseguimos estar juntos sem compromisso, valorizamos bastante. Gostamos desses programas simples, de ficar juntos, assistir a alguma coisa, conversar, comer, curtir a nossa casa e a nossa família. Acho que quanto mais corrida fica a vida do lado de fora, mais você aprende a valorizar essa normalidade.
– O enredo traz um casal que está descobrindo os desafios da vida a dois. Na vida real, qual o maior desafio de um casamento?
Larissa – Acho que é entender que o casamento é feito por duas pessoas que continuam sendo indivíduos. Amar alguém não significa pensar igual, querer as mesmas coisas o tempo inteiro ou deixar de ter o seu espaço. Para mim, o desafio e também a beleza estão em aprender a conviver com essas diferenças, respeitar o tempo do outro, conversar e continuar escolhendo construir juntos.
André – Para mim, é entender que estar junto não significa deixar de ser indivíduo e que o casamento é escolha diária. É continuar escolhendo um ao outro, buscando motivações e construindo sonhos, sabendo que temos um objetivo em comum: nossa família, o amor e o respeito. A parceria se fortalece nesse cuidado diário com o que queremos viver juntos.
– O que descobriram um no outro apenas após o casamento?
Larissa – O convívio sempre revela pequenas coisas que você não conhece completamente antes de dividir uma vida. Mas acho que o que mais se confirmou para mim foi o quanto o André é parceiro, atento e tem um coração gigante. Nas pequenas coisas mesmo, na rotina, no cuidado, na disponibilidade. Ele está sempre disposto a agregar, a entregar o melhor de si para nós dois e para tudo o que a gente vem construindo ao longo desses anos. A vida a dois não é feita só de grandes momentos; ela acontece muito nesses gestos cotidianos. E isso é uma coisa que eu valorizo demais nele, pelo companheiro e pelo ser humano que ele é.
André – Dentro de casa, a gente construiu uma relação de amor e apoio, em que um incentiva o outro a seguir em frente. Entendemos que nossas carreiras são cíclicas, que cada um vai viver fases diferentes, mas ter um ao outro em todos esses momentos faz muita diferença. Descobrir essa força da nossa parceria no dia a dia tem sido maravilhoso.
– Quem é mais crítico?
Larissa – Acho que os dois são críticos, mas de maneiras diferentes. Eu sou muito exigente comigo mesma e tenho um olhar muito atento para o que posso melhorar. O André também é muito dedicado e se entrega demais ao que faz. Mas a nossa troca não vem de um lugar de apontar defeito. É mais: ‘O que você achou?’, ‘Funcionou para você?’, ‘Você sentiu isso?’. Existe confiança para perguntar e também liberdade para não concordar.
André – Acho que cada um é crítico de um jeito. A Larissa é extremamente dedicada, muito preparada e exigente com ela mesma. Eu também me cobro bastante. Mas entre nós não existe esse lugar de um querer dirigir o outro. A gente pergunta, troca percepção, dá opinião quando existe abertura para isso. Até porque estamos trabalhando com um diretor e existe todo um processo sendo conduzido.
– Você cresceu aos olhos do público. Hoje, com apenas 25 anos, já está casada, tem carreira sólida e conduz os seus negócios. Ter começado tão cedo te deu uma dose extra e antecipada de maturidade?
Larissa – Cresci entendendo o que era compromisso, horário, equipe, preparação, responsabilidade com o trabalho. Isso inevitavelmente amadurece alguns aspectos da gente. Mas também tento não transformar isso numa obrigação de ter todas as respostas só porque trabalho desde criança. Tenho 25 anos, continuo aprendendo, mudando, descobrindo quem sou e o que quero. Talvez a maturidade esteja também em entender que a gente nunca está pronto. Cada fase traz um aprendizado novo.
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Fonte: Revista Caras

