A obra de Arlindo Cruz ganha novas interpretações no álbum “Elas Cantam Arlindo”, projeto da Nas Nuvens Music Group, responsável pela gestão do catálogo do compositor. O trabalho reúne cinco cantoras em releituras de canções que atravessam temas como pertencimento, fé, desejo e memória.
A proposta nasceu de uma ideia do produtor Liminha, diretor artístico do projeto ao lado de Boris Farias. A intenção foi apresentar a obra de Arlindo sob diferentes perspectivas, reunindo exclusivamente vozes femininas de gerações e universos musicais distintos. “Por se tratar de um cantautor, imaginei que seria mais interessante – e também diferente para o público – criar um projeto interpretado exclusivamente por mulheres”, explica Liminha.
Segundo o produtor, um dos principais desafios foi definir quais músicas seriam interpretadas por cada cantora. “Talvez o mais difícil tenha sido escolher as músicas dentro de um baú onde só tem coisa boa. A partir daí, entra muito o gosto, a sensibilidade e a intuição para imaginar qual canção pode ganhar uma nova vida na voz de cada artista”, conta.
As faixas do álbum
A primeira faixa do projeto é “O Meu Lugar”, interpretada por Ivete Sangalo. A música, uma das obras emblemáticas de Arlindo Cruz, está ligada à história do samba e à identidade brasileira. Para Ivete, interpretar a canção representa uma forma de reconhecer a importância do compositor. “Cantar ‘O Meu Lugar’ foi também uma maneira de reverenciar esse legado com muito carinho e respeito”, afirma.
Na sequência, Agnes Nunes apresenta sua versão de “Será Que é Amor”. A cantora leva a composição para o universo da nova MPB e estabelece uma conexão com suas próprias vivências e referências como mulher nordestina. A gravação também acompanha um momento de transformação artística da cantora. “Hoje eu me sinto mais livre artisticamente, mais mulher, menos menina”, declara Agnes.
Duda Beat aparece no álbum com “Agora Viu Que Perdeu e Chora”. A cantora transforma a composição em um xote melancólico e dançante, aproximando a música de sua própria estética nordestina-pop. A escolha da faixa também despertou lembranças pessoais na artista. “A canção despertou algumas memórias afetivas em mim, desses amores que passaram na minha vida”, contou.
Já Luedji Luna interpreta “O Bem”, música que aborda fé, esperança e a possibilidade de responder ao desamor por meio da bondade. A cantora destaca a importância de manter viva a obra de Arlindo Cruz. “Arlindo Cruz e seu legado merecem ser celebrados”, resume.
A última faixa do álbum é “O Que é o Amor”, interpretada por Vanessa da Mata. A música foi composta por Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho e conta com produção de Liminha e participação de Kassin, Dedê Silva, Thiago Gomes e Davi Moraes.
A parceria entre Vanessa e Liminha já é antiga: o produtor foi responsável por dois discos da cantora. A proximidade musical entre os dois contribuiu para uma gravação construída de maneira espontânea em estúdio. Vanessa também guarda uma lembrança pessoal de Arlindo e o descreve com carinho. “Ele sempre foi uma pessoa magnética, simpática, querida e muito inteligente”, afirma.
Para Liminha, o projeto permite que as músicas do compositor sejam revisitadas sem perder a ligação com sua obra original. “As canções continuam sendo dele, mas passam a existir também através do olhar e da voz dessas artistas”, explica.
Além do álbum, “Elas Cantam Arlindo” terá um novo capítulo. O projeto ganhará um documentário inédito sobre a trajetória de Arlindo Cruz. A data de estreia ainda não foi definida.
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Fonte: Revista Caras

