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Cegonha, uma pequena máquina que guarda grandes histórias da Madeira-Mamoré

Quem olha para esse mecanismo feito de madeira e ferro não imagina as histórias que ele carrega. Mas há uma pessoa que nunca vai esquecer as aventuras, risadas e travessuras que viveu na famosa Cegonha.

Movimentada manualmente, a Cegonha era utilizada pelos ferroviários para percorrer pequenos trechos da linha, apoiar os trabalhos de manutenção e chegar com rapidez a locais que precisavam de atendimento. Mas, além de ser fundamental para o trabalho dos ferroviários, a Cegonha também garantia a diversão de Seu Moisés, que, na época, era apenas um menino na Candelária. Ele costumava andar com um grupo de cinco ou seis amigos. Foi naquela época que conheceu Paulo Shockness, ferroviário que, segundo sua lembrança, era “o mestre de fazer essas cegonhas”.

A risada surge no momento em que começa a contar a história que construiu uma memória que faz seu olhar ficar distante. Por alguns momentos, ele volta ao passado para lembrar, com detalhes, o dia que lhe rendeu muitas risadas.

A Madeira-Mamoré marcou a infância e a memória de Seu Moisés

“Na Vila Candelária, tinha um senhor chamado Paulo Shockness. Geralmente, quando ele ia trabalhar lá pro fundo do quintal dele, a gente colocava a cegonha dele no trilho e vinha embora pra cidade. Quando chegava uma hora que ele tinha que vir pra cidade, cadê a cegonha? Quando ele dava sorte, alguém via a cegonha dele na cidade e trazia de volta. Quando não, ele tinha que ir a pé.”

Contada hoje com humor, a história revela uma relação muito próxima entre os moradores da Vila Candelária e a ferrovia. A Cegonha estava tão presente no cotidiano que fazia parte não apenas do trabalho dos adultos, mas também do imaginário e das brincadeiras das crianças.

No olhar de Seu Moisés, ao lembrar dessas histórias, há um ar de saudade daquela época, que não volta mais, mas jamais será esquecida.

Mais do que uma lembrança divertida, o relato de Seu Moisés ajuda a mostrar que a Madeira-Mamoré era parte da vida cotidiana de quem morava ao seu redor. Os trilhos eram caminho, trabalho, encontro e, para aquelas crianças, até cenário para pequenas aventuras.

Cegonha simboliza a história da Madeira-Mamoré e preserva a memória dos trabalhadores e das famílias que fizeram parte dessa trajetória

Hoje, a Cegonha é também um símbolo de uma época que ajudou a formar Porto Velho. Preservar equipamentos como esse significa proteger não apenas uma peça histórica, mas tudo o que ela representa.

Por trás de uma estrutura de ferro e madeira, existem mãos de trabalhadores, histórias de famílias, desafios enfrentados ao longo da ferrovia e lembranças que resistiram ao tempo.

São memórias como a de Seu Moisés que transformam um equipamento histórico em algo maior: um elo entre o passado e o presente.

Para o prefeito Léo Moraes, valorizar a Madeira-Mamoré é também valorizar aquilo que faz parte da identidade de Porto Velho e da história do seu povo.“A Cegonha carrega parte da história de Porto Velho e, junto dela, as lembranças de quem viveu esse período. Preservá-la é manter viva a memória de pessoas como Seu Moisés e valorizar as histórias que fazem parte da identidade do nosso povo.”

Léo Moraes afirma que preservar a Cegonha é manter viva a memória e a identidade de Porto Velho

Já para o professor e historiador Aleks Palitot, preservar esse patrimônio é reconhecer o valor das histórias e das pessoas que ajudaram a construir Porto Velho ao longo do tempo.“A Cegonha representa muito mais do que um equipamento da Madeira-Mamoré. Ela guarda histórias de uma época e, principalmente, as memórias de quem viveu esse cotidiano. Preservá-la é garantir que lembranças como as de Seu Moisés continuem fazendo parte da história de Porto Velho.”

Hoje, a Cegonha já não percorre os trilhos levando trabalhadores para atender a uma emergência.

Ela atravessa o tempo por meio das lembranças de quem a conheceu de perto.

Preservar a Madeira-Mamoré é cuidar das histórias que deram vida a Porto Velho, das pessoas que deixaram suas marcas aqui e das lembranças que ainda conseguem arrancar um sorriso de quem as viveu.

Texto:Débora Oziel

Fotos:Mateus dos Santos

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

A matéria Cegonha, uma pequena máquina que guarda grandes histórias da Madeira-Mamoré foi publicada originalmente no portal Jornal Eletrônico Rondoniaqui News.

Fonte: Rondoniaqui News

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