Consagrada como uma das atrizes mais emblemáticas e respeitadas da história da televisão brasileira, a artista Regina Duarte (79) acumulou dezenas de papéis inesquecíveis que marcaram gerações de telespectadores. No entanto, o que boa parte do público desconhece é que, durante os anos em que esteve casada com o pecuarista Eduardo Lipping Cot, a famosa mergulhou de cabeça no universo do agronegócio nacional. Longe dos estúdios de gravação, a atriz assumiu um papel ativo na gestão de uma imponente propriedade rural voltada para a pecuária de alta performance.
Embora na realidade os registros oficiais da propriedade estivessem associados ao seu ex-marido, a forte presença da estrela na rotina dos negócios fazia com que ela praticamente comandasse as operações do local. A convivência diária com criadores e a participação em leilões exigiram que a atriz dominasse termos técnicos complexos do setor, integrando a rotina da pecuária de elite com a mesma naturalidade com que decorava seus roteiros de novela.
O forte na criação de gado da raça Brahman e animais de elite em Barretos
A propriedade rural que contava com a forte influência da atriz ficava localizada no município de Barretos, situado a cerca de 450 quilômetros da capital paulista. O principal foco econômico e de prestígio do local era a seleção genética rigorosa e a criação de gado de elite da raça Brahman, reconhecida pela robustez, docilidade e precocidade no ganho de peso.
O criatório, que se tornou uma referência nacional no setor, teve origens audaciosas com a importação de dezenas de matrizes diretamente dos Estados Unidos. Os animais de alto valor comercial chegaram ao interior paulista de avião, vindos do Texas, dando origem a exemplares campeões em exposições agropecuárias por todo o Brasil e consolidando o prestígio da marca no mercado de zebuínos.


Da linguagem técnica dos leilões à paixão genuína pela vida rural
O envolvimento de Regina Duarte com o meio agropecuário ia muito além de uma simples visita esporádica aos pastos nos finais de semana. A atriz frequentava feiras do setor, conversava com especialistas e utilizava com desenvoltura expressões técnicas como plantel e matrizes, surpreendendo os criadores mais tradicionais pela sua facilidade com o ecossistema do campo.
Sua paixão declarada pela raça Brahman e pelo estilo de vida interiorano acabou atraindo outras personalidades famosas da televisão para o universo da pecuária. Ao circular pelos recintos de leilões com extrema desenvoltura, a artista ajudou a popularizar a importância do melhoramento genético bovino entre o público urbano que acompanhava sua trajetória artística.
O legado de uma época marcada pelo trabalho e pela paixão pela terra
Apesar do fim do casamento com o pecuarista, o período em que a atriz esteve ligada à administração da fazenda em Barretos deixou marcas profundas em sua história pessoal. A experiência no interior paulista revelou uma faceta distante dos holofotes, mostrando a versatilidade de uma mulher que transitava com o mesmo talento entre os estúdios de TV e os desafios da pecuária.
A jornada de Regina Duarte no comando indireto da propriedade em terras paulistas permanece como um capítulo fascinante de sua biografia. Unindo o glamour da teledramaturgia à força produtiva do agronegócio, a eterna namorada do Brasil provou que sua capacidade de liderança ultrapassava barreiras, fincando raízes profundas na história do campo nacional.


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Fonte: Revista Caras






