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Mau Mau de Quem Ama Cuida conta como família abraçou sua sexualidade

Logo em seu primeiro grande trabalho na televisão, João Victor Gonçalves (23) não poderia se sentir mais realizado. O Mau Mau, de Quem Ama Cuida, trama global das 9, é um dos personagens mais queridos da história de Walcyr Carrasco (74) e Claudia Souto (56) e não é por menos. Em cena com gigantes da atuação, o paulistano comoveu o público com os dramas do jovem gay que só deseja ser aceito pelo avô conservador e viver bem ao lado da família. “Estou realmente muito feliz com toda a repercussão, todas as críticas positivas. Às vezes, eu nem acredito muito, penso que não sou tudo isso. Essa é a maior das vitórias do nosso trabalho. Mais do que o reconhecimento da crítica, fico feliz com as pessoas próximas de mim no set elogiando também”, festeja ele, em papo com CARAS.

Por ironia do destino, dias depois desta entrevista, ele viveu na pele os dramas retratados na ficção. Durante o Rock in Rio, o ator foi hostilizado por um grupo de jovens e o episódio foi filmado e publicado na internet, ganhando repercussão nacional. “Homofobia não é entretenimento… obrigado por todas as mensagens, pelo apoio e pelo cuidado”, se limitou a dizer ele, que foi procurado pela reportagem antes do fechamento deste texto, mas preferiu não se pronunciar mais sobre o tema.

– Como surgiu o convite para estar no elenco da novela?
– Foi uma grande surpresa. Eu estava por acaso no Rio, no aniversário de uma amiga, e recebi a mensagem de um pesquisador de elenco da Globo para renovar meu cadastro de atores. Durante a renovação, ele comentou sobre o personagem da novela, me deu um briefing e a gente realizou essa cena do cadastro já pensando no Mau Mau. Fiz isso pensando que, se rolasse, viriam outros testes, mas logo de cara era aquilo que a Amora Mautner, diretora da trama, procurava. Eu não fiz teste, fiz um monologo só. Óbvio que eu tinha disponibilidade para o papel! Foi tudo uma grande surpresa.

– Como é contracenar com Isabela Garcia, Tony Ramos e Letícia Colin?
– Isabela e Tony fizeram milhões de coisas juntos desde sempre, são colegas há muitos anos e sempre relembram os trabalhos antigos. Então, esse reencontro já uniu a gente ali. A conexão que tenho com a Isabela é absurda, a gente se dá muito bem, conversamos dentro e fora do set, trocamos conselhos! Com a Lelê, é a mesma coisa. Acho que foi um match muito incrível. Quando ficamos longe uns dos outros, a gente sente saudade! Criamos uma conexão forte.

– Estar em cena com o Tony foi um pouco intimidador, ainda mais em cenas tão intensas como as de vocês dois?
– No primeiro contato com o Tony, acho que todo mundo fica um pouco intimidado. Mas, logo de cara, ele quebra isso. Ele é uma pessoa incrível, muito querido, amoroso, cuidadoso. Ele diminui essa distância que criamos na nossa cabeça por ele ser um grande astro. A gente criou uma relação próxima antes das cenas. Ele tem esse cuidado, esse carinho de fazer de tudo para ser acolhedor, mesmo sendo amedrontador. E ele é muito bom, claro! Tudo que ele fala, a gente acredita.

– Você é de SP. Como encara essa mudança de vida para o Rio?
– Eu tenho lidado bem com a mudança para o Rio. Já vivo aqui há seis meses, estou aproveitando as coisas boas do Rio, mas sentindo falta de SP. Fico de segunda a sábado na Globo, nossa rotina é intensa. Tento aproveitar o que a cidade tem a oferecer… eu tenho jogado vôlei, feito muito exercício. Poder correr na praia é sempre bom, fica mais fácil viver essa vida saudável.

– Sua família lidou com tranquilidade diante de sua sexualidade, mas em quais pontos você se conectou com Mau Mau?
– Apesar de a minha família ter lidado com a minha sexualidade de forma diferente, a semelhança acontece em outros âmbitos — do que já ouvi na escola, de outras pessoas. A gente busca referências na internet, em outras amizades, envolvimentos, para encontrar esses lugares por onde o personagem passa. Depois de cenas fortes, vem um sentimento e uma emoção muito fortes. Apesar de não passar isso na minha vida, a gente se compadece com o que os outros passam. Fico sentido, a verdade é essa. Temos que entender que a gente está contando essa história para transformar a vida dessas pessoas que passam por isso, criar essa identificação. Que as pessoas se enxerguem no Mau Mau e se enxerguem no Otoniel para poder mudar.

– Como tem sido a recepção do público? Como é ver um personagem LGBT sendo tão abraçado pelas pessoas?
– As mensagens que mais recebo me falam sobre como as cenas do Mau Mau fazem com que elas se lembrem da época da escola, geram gatilhos, as transportam para anos atrás. Essas mensagens têm sido nesse lugar de uma identificação muito bonita. A minha sensação é de que no mundo ainda há esperança. Não precisa cair o cometa! É a nossa oportunidade de mostrar pessoas reais. Nós precisamos parar de nos distanciar, são todos seres humanos, pessoas, assim como todos nós. As pessoas LGBT estão na nossa vida, queremos aproximar as histórias do público. Quando esses personagens são amados é porque essas pessoas também têm esse direito de serem amadas. Precisamos parar de criar estereótipos e entender que personagens LGBT são como qualquer outro.

– Todos torcem para que o Mau Mau arranje um namorado. Qual a sua vontade para ele?
– Minha vontade é que o Mau Mau seja feliz, com alguém ou sem alguém. Que ele esteja próximo da família, mais do que um romance. O romance pode ser um pedal para a descoberta dele, mas a trama é a luta contra a homofobia em casa. Ele precisa transformar esse avô. Que o Otoniel consiga amar o Mau Mau exatamente como ele é.

– O que espera do futuro?
– Eu penso em continuar fazendo meu trabalho como sempre fiz. Sempre estive no teatro, sempre atuei. A novela é uma grande vitrine para outras possibilidades. Estou amando fazer novela, mas também quero fazer filme, série, tudo que pintar! Estou fazendo para continuar crescendo e contando outras histórias.

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Fonte: Revista Caras

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