A polícia francesa utilizou gás lacrimogêneo nesta terça-feira (6) para dispersar estudantes e simpatizantes que protestavam em Estrasburgo. Os atos fazem parte de uma onda nacional de manifestações que cobra do governo soluções para a falta de profissionais e a deterioração da infraestrutura escolar.
As mobilizações ocorrem após duas semanas de protestos que começaram nos subúrbios de Paris e se espalharam por todo o país. O governo respondeu com o envio de unidades antidistúrbios, argumentando que o movimento derivou para a violência urbana, e rejeitou as críticas de “repressão policial”.
Demandas e impacto nas escolas
Desde o final de setembro, alunos de 15 a 18 anos bloquearam centenas de liceus — onde é ministrado o último ciclo do ensino médio na França. As principais denúncias envolvem a não substituição de professores ausentes, horários sobrecarregados e salas de aula precárias, incapazes de suportar o aumento das temperaturas.
Diante da pressão, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ordenou que seus ministros abordem as reivindicações. A pauta estudantil inclui a revisão da extensa jornada escolar, que atualmente abrange o período das 8h às 18h, e a implementação de pausas mais longas para o almoço.
Cenário político e segurança reforçada
As marchas desta terça-feira contaram com o apoio de sindicatos, como a CGT, e de partidos de esquerda, como A França Insubmissa (LFI) e o Partido Socialista (PS). O governo e os partidos de direita acusam a LFI de tentar “semear o caos” de olho na eleição presidencial de 2027. Em contrapartida, o líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, classificou o movimento como a maior mobilização juvenil no país em 50 anos.
A manifestação mais numerosa ocorreu em Paris, exigindo um forte esquema de segurança com milhares de policiais nas ruas e o fechamento de dez estações de metrô. A convergência entre os estudantes e a esquerda ganha força logo após a apresentação do plano orçamentário do governo para 2027, que inclui medidas de contenção de gastos justificadas pela elevada dívida do país, que atinge quase 120% do PIB.
A matéria Protestos de estudantes geram confrontos na França foi publicada originalmente no portal Jornal Eletrônico Rondoniaqui News.
Fonte: Rondoniaqui News






